O Burnout Materno
- 3 de out.
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Você sabia que o Brasil tem o 3º pior índice de saúde mental do mundo de acordo com a Associação Paulista de Medicina (APM)? E na maternidade, esse cenário é ainda mais grave! Não é um sinal de fraqueza individual; é a consequência de uma falha sistêmica que naturaliza o cuidado como responsabilidade exclusiva da mulher. O fato de 9 em cada 10 mães relatarem sinais de esgotamento, prova que estamos diante de uma regra perversa que adoece famílias e impacta toda a sociedade.
Felizmente, a legislação começa a reconhecer essa urgência:
Novo Projeto de Lei em trâmite (5063/2023): Uma proposta de lei importante avança para criar a 'Política Nacional de Apoio e Prevenção à Estafa Mental ou Burnout relacionados à Maternidade'. O objetivo é garantir o bem-estar da mãe e exigir que o SUS (Sistema Único de Saúde) ofereça atendimento especializado e capacite profissionais para identificar e tratar o esgotamento.
Lei de Apoio no Trabalho (14.457/2022): Outra lei já existente busca a parentalidade compartilhada, priorizando o trabalho remoto e horários flexíveis para mães e pais de crianças pequenas. A ideia é aliviar a jornada dupla e garantir que o cuidado não caia só sobre a mulher.
O Desafio: As leis são um começo, mas a verdadeira transformação está na ponta. Precisamos que o SUS tenha recursos e profissionais realmente capacitados para acolher essa dor.
Oque é Burnout Materno?
se emocional intenso, resultado do estresse crônico associado às múltiplas demandas e responsabilidades da maternidade, que superam os recursos emocionais e físicos da mãe. Não é apenas cansaço, mas uma síndrome de exaustão que afeta diretamente a qualidade de vida e a capacidade de interagir com os filhos.

Quais são as Causas e Fatores de Risco? O Burnout Materno é multifatorial e profundamente ligado a questões sociais e culturais. As principais causas e fatores de risco incluem:
Sobrecarga da Carga Mental Invisível: É o fator central. Refere-se à organização, planejamento e preocupação constante com a rotina dos filhos, da casa e da família, que recai majoritariamente sobre a mãe.
Falta ou Fragilidade da Rede de Apoio: A ausência de um parceiro(a) participativo, de familiares ou de suporte externo (creche, babás) impede a mãe de ter tempo de descanso e autocuidado.
Desigualdade de Gênero nos Cuidados: A persistência da cultura que impõe à mulher o papel principal de cuidadora, mesmo quando ela trabalha fora.
Pressão por "Mãe Perfeita": As expectativas sociais e a autocobrança irreal de ser uma mãe sempre alegre, eficiente, e que "dá conta de tudo" levam a sentimentos crônicos de inadequação e culpa.
Demandas Intensas dos Filhos: Filhos com necessidades especiais (TEA, TDAH, doenças crônicas) ou múltiplos filhos pequenos aumentam significativamente a sobrecarga.
Isolamento Social: Sentir-se sozinha e sem a possibilidade de compartilhar experiências ou receber ajuda prática. Quais são as Sintomas do Burnout Materno?
Os sintomas são intensos e persistentes, indo muito além do cansaço normal da rotina:
Exaustão Extrema: Cansaço físico e emocional avassalador que não melhora com o descanso ou o sono.
Distanciamento Emocional (Desapego): Sentir-se desligada ou no "piloto automático" na interação com os filhos. A mãe cumpre as tarefas de cuidado, mas sem prazer ou afeto genuíno.
Sentimento de Incompetência: Senso constante de fracasso, culpa e inadequação no papel de mãe, percebendo-se como incapaz de ser a mãe que gostaria.
Irritabilidade e Impaciência: Reações desproporcionais a situações cotidianas, com dificuldade em tolerar o choro ou as demandas dos filhos.
Desejo de Fuga: Vontade de se isolar, "sumir" ou de ter uma pausa prolongada do papel materno.
Sintomas Físicos: Problemas de sono (insônia), dores de cabeça, alterações no apetite e fadiga crônica.
Qual é a diferença entre Burnout Materna e da Depressão Pós-Parto? Embora possam coexistir, o burnout parental (incluindo o materno) afeta principalmente a relação da pessoa com seu papel parental, enquanto a depressão pós-parto envolve uma tristeza generalizada, perda de interesse em todas as atividades e pode incluir sentimentos de inutilidade. O burnout, se não tratado, pode levar à depressão. Tratamento e Prevenção
O tratamento do Burnout Materno deve ser multidisciplinar, focando tanto na saúde da mãe quanto na mudança estrutural da rotina.
Tratamento
Psicoterapia: Essencial para reestruturar pensamentos disfuncionais e trabalhar a culpa e o sentimento de incompetência. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é frequentemente recomendada.
Avaliação Psiquiátrica: Em casos de sintomas graves, como ansiedade ou depressão associadas, pode ser necessária a prescrição de medicamentos (antidepressivos/ansiolíticos).
Grupos de Apoio: Compartilhar experiências com outras mães em um ambiente seguro ajuda a reduzir o isolamento e a desmistificar o "ideal de mãe perfeita".
Prevenção e Mudança de Rotina
Construir uma Rede de Apoio Sólida: Não hesite em delegar ou aceitar ajuda do parceiro(a), familiares ou amigos para tarefas práticas (cozinhar, limpar, cuidar das crianças). O apoio prático é o tratamento mais eficaz.
Priorizar o Autocuidado: Agendar e proteger momentos diários para descanso, exercícios, hobbies ou apenas ficar sozinha, mesmo que por poucos minutos. O autocuidado não é luxo, é manutenção da saúde.
Estabelecer Limites: Aprender a dizer "não" a demandas externas e a reduzir a autocobrança. Abandonar o mito da "mãe perfeita" e focar no "suficientemente boa".
Divisão Equitativa de Tarefas: Garantir que o parceiro(a) assuma a mesma proporção de responsabilidades, incluindo a carga mental de planejamento.
Se você se identificou com os sintomas, é fundamental procurar ajuda profissional (psicólogo ou psiquiatra) para um diagnóstico e plano de tratamento adequados. - A saúde mental da mãe é a base da saúde de toda a família. Equipe Universidade de Pais


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